05/07/2018 – CEO da GE preso pela Lava Jato diz que havia ‘esquema’ em licitações do Rio
Notícias de licitações
 

G1 Rio de Janeiro
Arthur Guimarães, TV Globo

 

Speranzini Júnior negou, porém, ter pago propina ou ter cedido às pressões que teria sofrido quando esteve na Philips. Ele afirmou que concorrentes foram beneficiados.

 

Preso temporariamente na Operação Ressonância, o ex-executivo da Philips e atual CEO da General Eletrics (GE) para a América Latina, Daurio Speranzini Júnior, afirmou em depoimento que havia “direcionamento” nas licitações na Saúde do Rio, confirmou a existência de um “esquema” durante seu período na Philips e acusou concorrentes. Ele não assumiu, porém, que tenha participado das irregularidades, como suspeita a Força Tarefa da Lava Jato no Rio.

 

Em depoimento à Polícia Federal (PF) prestado ontem em São Paulo, ele afirmou ser “muito claro” que havia um direcionamento nas licitações para empresas relacionadas com a marca Oscar Iskin, do empresário Miguel Iskin, apontado pela Força Tarefa da Lava Jato como mentor do cartel que fraudaria licitações na Saúde do Rio.

 

Apesar de a Lava Jato afirmar que o executivo “permaneceu com as práticas ilícitas” após entrar na GE, o depoimento a que o G1 teve acesso foi focado especialmente na atuação dele na Philips.

 

Speranzini Júnior e Iskin foram presos ontem, dentro da operação que investiga fraude em licitações que movimentaram mais de 1 bilhão de reais na Secretaria Estadual de Saúde do Rio e do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO).

 

Daurio disse que, quando era da Philips, havia “pressões de todos os lados” para entrar no “esquema”. E que teria sido até ameçado, quando recebeu um telefonema e ouviu que seria “fácil saber onde seus filhos estudam.”

 

O CEO da GE disse que, na antiga empresa, havia uma “comissão”, registrada em contrato, paga para terceiros intermediarem vendas para órgãos públicos, o que, “acredita”, não acontecia nas vendas da empresa no exterior. Ele contou, no entanto, que o pagamento era feito apenas em 10% dos casos.

 

Speranzini Júnior negou ter pago propina ou ter cedido às pressões. Concorrentes, no entanto, teriam sido beneficiadas. O CEO da GE para a América Latina disse “era claro” o direcionamento nas licitações para empresas específicas, como a Siemens – que não é investigada, até agora, nesta fase da Lava Jato.

 

Dossiê contra denunciante

 

Na casa do executivo, foi encontrado, ontem, um “dossiê” contra José Israel Masiero Filho. No depoimento, a PF quis saber do que se tratava. O CEO da GE disse que pediu o levantamento a um amigo “ex-policial federal”, Carlos Toschi Neto.

 

A ideia seria “simplesmente” aplacar a “ansiedade” em descobrir quem seria Masiero Filho, que, supostamente, o teria acusado de irregularidades em outra investigação conduzida pela PF de São Paulo, “que trata dos mesmos fatos investigados” agora. Feito o dossiê, ele disse que lembrou do sujeito. Ele disse que “acredita” que as informações levantadas eram públicas.

 

Por fim, os policiais quiseram saber o que seria uma anotação encontrada em sua residência, em que constava a palavra “propina”. Speranzini Júnior disse que o item fazia parte de uma lista, feita antes de um outro depoimento, em que o próprio elencou quais acusações tinham sido feitas por Masiero Filho.

 

Defesas

 

Segundo o MPF, a Ressonância investigou conglomerados que atraíram empresas fornecedoras e formaram cartel para direcionar as compras de equipamentos médicos. Para tal, agiam para manter a direção no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

 

Segundo as investigações, o ex- governador Sérgio Cabral e o então secretário, Sérgio Cortes, comandaram o desvio de R$ 300 milhões em contratos fraudados com a participação de empresários que forneciam próteses para o Into. O desvio total do esquema investigado pela operação pode passar de R$ 600 milhões.

 

São investigadas 37 empresas e os crimes de formação de cartel, corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, havia interesse de multinacionais em manter a direção do Into, em volta do qual criou-se o cartel para direcionar os vencedores e os valores a serem pagos nos contratos de fornecimento do Instituto.

 

O esquema duraria até hoje e não foi interrompido nem com a prisão de Iskin, Gustavo Estellita e do ex-secretário de Saúde do Rio Sérgio Côrtes.

 

Confira o que as defesas dos citados falaram:

 

A Siemens emitiu uma nota sobre a operação: “Recentemente foram divulgadas informações referentes à segunda fase da Operação Fatura Exposta, envolvendo diversas empresas do setor de saúde. A Siemens e a Siemens Healthineers não são parte desta ação. Comprometidos com a defesa de um ambiente limpo para negócios, ambas as empresas adotam rígidos programas de Compliance e têm interesse no esclarecimento das investigações”.

 

A defesa de Miguel Iskin considerou a ação “uma repetição da operação anterior, na qual a prisão preventiva do empresário foi afastada pelo Supremo Tribunal Federal”.

 

O Into disse que vai colaborar com as investigações e não comentou a prisão do atual diretor, André Loyelo.

 

A Philips informou que ainda não teve acesso ao processo, mas que coopera com as autoridades, para prestar esclarecimentos referentes a fatos antigos, já que os atuais executivos da empresa não fazem parte da ação da Polícia Federal e que qualquer possível violação das leis é tratada seriamente pela empresa.

 

A GE também emitiu nota: “As alegações referem-se a um período em que o executivo trabalhou para uma companhia sem relação com a GE. A empresa reforça que está profundamente comprometida com integridade, conformidade e o estado de direito em todos os países em que opera, assim acredita que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação”, disse a nota.

 

Para a defesa de Sérgio Cabral, a operação não tem relação com o ex-governador já que os fatos seriam anteriores a gestão dele e em órgãos federais.

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ACidade ONMilene Moreto O Executivo estima que até o final do ano a licitação seja encerrada A Prefeitura de Campinas autorizou na sexta-feira (21) a abertura do processo de licitação da Parceria Público Privada do Lixo. Agora, a Secretaria de Administração deve preparar a concorrência e disponibilizá-la para as empresas interessadas em assumir a gestão de resíduos sólidos na cidade. O Executivo estima que até o final do ano a licitação seja encerrada. O processo ficará 45 dias disponível para consultas. Esse é o prazo para o recebimento das propostas. A abertura dos envelopes só é autorizada após esse período. A PPP do Lixo é um dos maiores contratos da Administração, orçado em R$ 800 milhões. Passou por consulta pública e, segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, as mudanças sugeridas pela população não afetaram o projeto base. "Nós tivemos muitas sugestões e várias foram incorporadas ao nosso projeto, como a maximização da reciclagem. Nenhuma delas, no entanto, alterou a ideia do governo que é a de criar usinas, fazer uma gestão inteligente do lixo e com redução do impacto no meio ambiente", disse.  Sobre o edital, Paulella afirmou que que o processo está em fase avançada e acredita que, no máximo em um mês, já esteja disponível. "Durante toda a discussão da PPP o edital já estava em preparação. Precisamos agora apenas dos ajustes finais. Se tudo correr bem, nossa estimativa é de encerrar a licitação até o final do ano", disse o secretário. TRÊS USINAS A nova gestão do lixo planejada pela Prefeitura inclui a construção de três usinas: compostagem de lixo orgânico, reciclagem e transformação de rejeitos (carvão), que leva o nome de CDR. A receita da venda do material reciclado, composto e carvão é dividida com a Prefeitura. Cada um - empresa e Prefeitura - fica com 50%. O carvão, por exemplo, é utilizado em metalúrgicas e usinas de cimento, um mercado que está em crescimento em todo o mundo.  Todo o lixo passará por tratamento. Aquele que não puder ser aproveitado em nenhuma das usinas será descartado pela empresa. Mas a quantidade é pequena. Segundo Paulella, menos de 5%. Também é responsabilidade da concessionária que vencer a licitação realizar esse descarte em local adequado. O prazo para a vencedora da concessão construir as usinas é de cinco anos. Os serviços de varrição, cata-treco, coleta seletiva e ecopontos são assumidos imediatamente, mas a empresa só recebe pelo serviços prestados. Quanto mais ela demorar para construir as usinas, menos conseguirá gerar de receita.
 
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