28/09/2018 - Leilão de blocos do pré-sal rende R$ 6,8 bilhões, segundo estima o governo
Notícia de licitação
 

Correio Braziliense
Bruno Santa Rita*

 

Licitação contou com presença de grandes petroleiras estrangeiras. Petrobras levou apenas um lote

 

Para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), sucesso do certame garante que a produção dos campos não será interrompida

 

O governo arrecadou ontem R$ 6,82 bilhões com a licitação de quatro blocos de exploração de petróleo na área do pré-sal, nas bacias de Campos e de Santos. A expectativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), é a de que, ao longo de 35 anos, o pagamento de royalties e participações especiais pelas empresas vencedoras alcance R$ 235 bilhões. Ao todo, 12 empresas concorreram aos lotes oferecidos, incluindo gigantes internacionais do setor, como Chevron, ExxonMobil, Shell, Total e CNOOC.

 

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, comemorou a atração de investidores privados para a operação da área no Brasil. “É uma garantia para a população de que, independentemente do que aconteça com qualquer empresa, temos seis operadoras no pré-sal”, observou. Oddone também afirmou que, em caso de nova crise na Petrobras, a presença de outras empresas impediria que o trabalho no pré-sal fosse interrompido.

 

A Petrobras ficou longe de ser a protagonista do leilão. Diferentemente do que ocorreu em outras licitações, a estatal adquiriu apenas o bloco Sudoeste de Tartaruga Verde (área menos cobiçada pelas empresas), sem concorrência. O consórcio formado por Shell e Chevron levou o bloco Saturno. Já as empresas ExxonMobil e QPI Brasil arremataram o bloco Titã. Por fim, o consórcio formado pela BP, Ecopetrol e CNOOC obteve o bloco Pau-Brasil.

 

Para o pesquisador e economista Felipe Queiroz, os leilões representam uma “entrega do pré-sal”. “É uma política neoliberal seguida pelo governo Temer. Antes, havia uma política de conteúdo local, de desenvolvimento da nossa economia”, criticou. De acordo com Queiroz, a política atual visa atender interesses do capital internacional. No entendimento de Queiroz, se a maior parte do pré-sal fosse explorada pela Petrobras, isso forçaria a cadeia produtiva a evoluir suas tecnologias de extração.

 

O economista da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo acredita que os leilões de áreas de exploração do pré-sal são uma boa saída para o Brasil. “Com a abertura para outras empresas, conseguimos fazer com que o pré-sal seja explorado. Sem recursos e investimentos, a Petrobras não conseguiria fazer isso”, analisou. “O pré-sal aparece como uma boa alternativa para o Brasil. Petróleo é chamado de ouro negro por uma razão. Ele é valioso e extraí-lo vai gerar emprego e permitir a elevação do patamar tecnológico do país com os investimentos”, ressaltou.

 

“Se você tem algo para explorar e não tem dinheiro, é preferível deixar a exploração acontecer e ser dono de uma parcela disso”, argumentou. Ele acredita, porém, que o ideal seria que o próprio Brasil pudesse explorar a área. “O ideal seria manter a exploração aqui, mas, infelizmente, não é possível”, avaliou. Bergo lembra que se parte do princípio de que a empresa que gastou dinheiro vai trabalhar para manter o lucro pretendido, inclusive a parcela que será destinada ao Brasil.

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu nota em que considerou os leilões como bem-sucedidos. “A arrecadação de R$ 6,82 bilhões na 5ª rodada de Licitações de partilha da Produção e a participação de 12 das principais empresas mundiais do setor de petróleo confirmam o grande potencial do país na produção de óleo”, disse a entidade, em nota.

 

O especialista em políticas e indústria da CNI, Roberto Wagner Pereira, defendeu a participação da iniciativa privada em todos os setores da economia no Brasil. “No caso específico, depois da mudança de regra de partilha, isso gerou a possibilidade de empresas de fora participarem dos leilões”, argumentou. Pereira explicou que são vários os ganhos para o país. “Em primeiro lugar, vamos ganhar com o dinheiro da compra, depois com os investimentos diretos, que são o maquinário, estrutura. Tudo isso prevê mais de R$ 1 bilhão para ser investido nos blocos”, defendeu.

 

Ele ainda garantiu que a as refinarias terão bastante trabalho com o novo volume de produção que vai vir com a exploração do pré-sal. “Uma boa parte do nosso petróleo é vendido para fora. Isso deve aumentar a escala de exportação do produto. Para a indústria, isso é um ganho muito grande”, afirmou.

 

Para Queiroz, há uma pressão muito forte no setor para que os leilões aconteçam. “É um lobby muito forte. Você tem um bloco de empresas estrangeiras muito grandes que querem pegar esses campos privilegiados. E do outro lado vem a pressão da estatal”, disse. Ele também afirmou que a Petrobras está descapitalizada e isso fortalece a ideia de que as empresas estrangeiras possam trazer investimentos internos para o país.

 

Cartas na mesa

 

Bloco  - Vencedor  - Óleo excedente - Ágio

Saturno -  Consórcio Shell (50%) e Chevron (50%)  - 70,20% - 300,23%

Titã  - Consórcio ExxonMobil (64%) e QPI (36%)  -  23,49% - 146,48%

Pau Brasil  -  Consórcio BP Energy (50%), Ecopetrol (20%), CNOOC Petroleum (20%)  - 63,79%  -  157,01%

Sudoeste de Tartaruga Verde - Petrobras - 10,01% -  Zero

 

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo 

Análise da página "leilaodeblocosa"   

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